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domingo, 10 de setembro de 2017

A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriot) e A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels)

Nesta postagem quero deixar registradas minhas impressões sobre os livros A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriott)A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels).

Vamos entender o seguinte: muitas pessoas compram estes livros "compactados" na esperança de aprender em 200 páginas o ensinado em quatro anos do curso de História, ou de aprender rápido sobre um assunto pra impressionar alguém: não se iludam! Quem já se graduou em História nunca sabe 100% de tudo que já aconteceu no mundo e todo estudante de História precisa se especializar em uma área de conhecimento: isto é mais certo que a morte. Até as áreas mais comuns (História do Brasil, Egito Antigo, Medievo Oriental, por exemplo) precisam ser estudadas dentro de um recorte temporal para que o trabalho desenvolvido seja cada vez mais específico e crédulo. Então, você não vai aprender História com um livro deste tipo. 

Mas, se estes livros não servem pra aprender história, pra que servem então? Acompanhe abaixo nesta resenha dos livros A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriot) e A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels).


A História do Mundo Para Quem Tem Pressa (Emma Marriot): A autora, que é historiadora pela Universidade de Warwick na Inglaterra, é especialista em História Contemporânea. Atualmente trabalha como editora, escritora e resolveu reunir em 200 páginas a história do mundo, da Antiguidade até o final da 2ª Guerra Mundial.

De fato o livro aborda os assuntos mais importantes da história desde a invenção da escrita, o problema é que não relaciona os assuntos publicados de modo a compreendermos dentro de uma linearidade. 

Nós, estudantes de história e historiadores evitamos linhas do tempo rígidas que nos deem a sensação de rupturas bruscas no passar dos anos. Contudo, o método "linha do tempo" ainda é usado para fins didáticos, facilitando o estudo/ ensino.

Para quem nunca estudou história antes, este livro se mostra uma chuva de informações agressivas deixando o leitor totalmente perdido. Se você nunca gostou de História mas agora resolveu estudar, sugiro a leitura de livros específicos por eras, exemplo: Grécia e Roma antiga, Antiguidade Oriental, Medievo Oriental, Medievo Ocidental, Sistema Feudal, etc (futuramente farei posts de indicações de livros destes temas). A calma é sua melhor amiga!

O livro A História do Mundo Para Quem Tem Pressa é indicado pra quem já está familiarizado com os assuntos acima mencionados tendo estudado, pelo menos, uma vez na vida. Eu uso muito o livro em vésperas de provas para me lembrar assuntos que já conheço, logo, o livro tem o seu valor. Ele é ideal pra quem já tem experiência como estudante de história pois, mesmo quem conhece dos assuntos, muitas vezes falta a "teoria". A Teoria da História nos mostra métodos de estudo que desenvolvem o senso crítico do estudante de modo a fazê-lo compreender melhor tudo que estuda. Assim, um estudante experiente neste ramo terá mais facilidade de usar o livro.

A História da Mitologia para quem Tem Pressa (Mark Daniels): O autor, graduado em Cambridge, estudou linguística e clássicos, seja lá o que isto signifique em termos educacionais na Inglaterra. Na micro biografia na orelha do livro, orgulha-se de ter desenvolvido um trabalho pesado na elaboração, ou seja, na base de muita pesquisa. Se isto realmente ocorreu eu não sei, mas gostei bem mais deste livro que do anterior. Obs: pela sorte do tipo de tema, não pelo modo de criação.

Mitologia é uma coisa que costuma variar com o tempo pois o "disse me disse" tende a criar versões para uma mesma estória. Assim como o livro anteriormente resenhado, é primordial que você já tenha contato com os assuntos abordados e você vai sentir isto ao ler sobre os mitos das culturas mais famosas (Egípcias, Gregas, Nórdicas, etc). Ao se deparar com conteúdo pouco falado (mitologia australiana, chinesa, etc) encontrará mais dificuldade pois são assuntos pouco presentes em nosso dia a dia.

A Mitologia não é menos importante que a História pois muitas vezes a explica. No Egito antigo, por exemplo, a mumificação de corpos acontecia por causa da religião e contribuiu muito para os estudos históricos. Na Grécia antiga os jogos olímpicos também se desenvolveram dentro de um contexto mitológico. É importante, então, conhecermos sobre mitos e lendas de um povo.

Por que gostei mais deste livro em relação ao "A História do Mundo Para Quem Tem Pressa"? Porque ao falarmos de mitologia há possibilidades de várias versões, facilitando o ensino e a compreensão (apesar de também rolar um certo "derramamento" de informações desconexas, desta vez, em relação aos acontecimentos históricos da época em que tais mitos se desenvolveram). Enfim... Tendo em vista a finalidade que você usará os livros, os recomendo pois são bem acessíveis financeiramente.


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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Consumismo e Militância

Eu adoro ler e escrever sobre política, gosto mesmo, mas infelizmente é difícil pôr em prática o que se acredita 100% do tempo. Diante de tantas tentações em nossas vidas fica difícil não cair em contradição. Explicando: Eu tenho um ideal político em mente e pra que ele aconteça eu preciso fazer coisas que nem sempre serão agradáveis. Uma delas é abrir mão de comprar coisas fúteis.

Economizar grana pra mim nunca foi um grande problema pois sempre ganhei mal e nunca tive um emprego estável (a ideia de não ter nada no mês seguinte me apavorava), assim, eu nunca fui de gastar mais do que ganho. Mas de vez em quando dá vontade de ter coisas que não são importantes, principalmente pra casa e decoração (latinhas, caixinhas, panos de prato, etc).

Este blog mesmo eu usava pra compartilhar coisinhas que amo pra dentro do meu lar e isto acaba me fazendo querer gastar dinheiro que não tenho. Vocês já viram perfis bombados de algumas donas de casa no Instagram? São compartilhadas cada coisa linda!! Não são moças multimilionárias que sigo, mas que elas tem uma grana sobrando pra comprar estes objetos pra casa, ah, elas tem. Eu adoro, não nego; fico com muita vontade de comprar... Mas além da grana não permitir, minha visão política socialista também impede.

No mundo socialista não deve haver lucro (teoricamente) pois tudo que é produzido por um trabalhador lhe é pago na sua integralidade. Os meios de produção são tomados pelos trabalhadores (não pelo empresário dono da fábrica) e assim vive-se numa sociedade mais igualitária. Infelizmente no Brasil não é isto que vemos: assistimos sentados cada dia mais uns poucos enriquecerem em cima do trabalho alheio. E uma das coisas que alienam estes trabalhadores é justamente este consumismo, essa vontade de ter o que não se precisa, e eu não estou imune a isto. A mídia contribui e muito com propagandas pesadas pra nos fazer crer precisar de coisas que não precisamos.

A gente pode notar que até os movimentos sociais e a militância atual viraram alvo de campanhas publicitárias e meios de vender cada vez mais. Quantas vezes você já viu o rosto de Frida ou Che estampados por ai? Eu, diversas!!

Eu evito ao máximo frequentar locais como shoppings e feiras que me farão querer gastar. A educação financeira é uma das grandes inimigas do sistema capitalista que precisa empurrar-nos goela abaixo seus produtos, desse modo, nunca vão incentivar seu ensino nas escolas por exemplo.

Sendo assim sigo fazendo minha parte evitando essas besteiras mas me perdoando quando caio em tentação, afinal, ninguém é perfeito. Quando me virem compartilhar algo distante da cultura socialista entendam que vivemos no capitalismo e é dele que nós sobrevivemos.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Thainá e as receitas?

Pessoal, quem acompanha o blog com regularidade sabe que não tenho postado novas receitas mas quero explicar porque.

Eu adoro gravar e editar, mas no momento isto está bem difícil. Além de trabalhar durante o dia, ainda faço faculdade a noite. Mesmo sendo a distância, estudar ainda é obrigatório né? rs.

Quando criei este blog foi pra ser um diário de variedades, pra postar coisas que acho úteis e ficar mais fácil de compartilhar. No entanto, de uns tempos pra cá os assuntos relativos à política começaram a me interessar e vou usar este espaço. Também curto escrever sobre outros assuntos mais leves, então, continuem acompanhando.

Sei que nem todos gostam mas eu não estaria sendo eu se abrisse mão disto. Ainda sou a mesma pessoa, mas claro que mudei muitas coisas, opiniões e visões de mundo.

Enfim, espero que compreendam. Beijos, Thainá.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A face de um eleitor do Bolsonaro

As vezes sinto que alguns companheiros da esquerda subestimam eleitores da família Bolsonaro. Eleitores da família Bolsonaro não são apenas adolescentes punheteiros desesperados por atenção, são também homens adultos que se recusam a admitir seus privilégios.

Eu sou uma pessoa privilegiada, estudei em bons colégios públicos (minha mãe sempre se esforçou pra achar vagas), estudei inglês, informática, morei no exterior e me graduei, mas isto não me impede de reconhecer que nem todos tem essa oportunidade. Infelizmente não tem!!

Estes "bolsominions" já passaram dos 30, sempre tiveram do bom e do melhor mas se recusam a admitir que a oportunidade não ocorre pra todos. Existem também aqueles que não tem onde cair mortos mas se acham parte de uma elite. São eles:
  • homens frustrados que chamam qualquer mulher que lhes recuse um convite de vagabunda;
  • religiosos que não podem ver ninguém se divertir que falam mal;
  • idosos privilegiados por gordas pensões que acham que a ditadura foi um período "lindo" (só pra eles né?);
  • mulheres desesperadas por atenção masculina que acham que, agradando-os, serão recompensadas (as famosas biscoiteiras)...

Então, não é só do público infanto-juvenil que Bolsonaro tem apoio.

Perfil dos Bolsominions
Pablo Vittar teve sua conta no Youtube invadida
por eleitores da família Bolsonaro
Estas pessoas se recusam a admitir as melhorias criadas pelo governo petista: muitos passaram a ter carro 0km, casa própria, tv a cabo, acesso a internet, mas ainda sim votam na família Bolsonaro que em 26 anos na carreira política nunca fizeram nada por eles (nem pelos militares que tanto "defendem). O governo PT fez em 13 anos muito mais que essa família fez em 26 mas você acha que o PT que "estragou" o Brasil. 

A face dos eleitores da família Bolsonaro é essa: a raiva pelo público LGBT, a religiosidade cega que os impede de questionar/estudar, o conservadorismo orgulhoso que recusa admitir qualquer coisa diferente (ainda que seja benéfica), o relativismo moral que aceita violência de várias maneiras, enfim... Nunca confie em quem pode invadir um canal no Youtube e prejudicar um artista somente por sua orientação sexual.

domingo, 27 de agosto de 2017

Comunidades indígenas que "aceitam Jesus"

Numa postagem anterior eu menciono alguns pontos do porquê não existir doutrinação marxista na nossa sociedade como alguns líderes da direita brasileira afirmam. O Brasil pode ter avançado muitos passos a frente ao incluir o negro, o pobre, o periférico nas universidades, mas ainda sim a cultura dominante no nosso país é a cristã.

A cultura cristã se opõe em muitos aspectos ao marxismo e ao comunismo, mas ainda sim existem pessoas que enxergam pontos em comum. Esse "suposto" ponto em comum é dito pelo fato do comunismo almejar uma sociedade mais igualitária (teoricamente o cristianismo preza pelo mesmo) mas na prática vemos que é isso não é verdade.

Numa sociedade igualitária, com boa distribuição de renda, ausência de classes e castas não é preciso que a população apele para forças "sobrenaturais" para conquistar uma vida digna. Sei que isto soa meio utópico mas do que as religiões se alimentam? Não seria o "inferno" uma invenção pra impôr medo? É até ingênuo por parte de certas pessoas acreditar que um dia o Vaticano irá "doar" toda sua fortuna pra acabar com a fome e a miséria sendo estas necessárias para a manutenção. Em outras palavras, as igrejas e os templos religiosos no geral precisam de "fome", "miséria" e "desgraça" pra sobreviverem.

Atualmente a religião que mais cresce no Brasil é o Cristianismo Protestante, esse mesmo que visava combater a corrupção na Igreja católica romana, esse mesmo que repudiava a venda de indulgências, esse mesmo que hoje prega "prosperidade".

No Cristianismo Protestante é muito cômodo você pintar e bordar, fazer mal a diversas pessoas e depois simplesmente "aceitar Jesus". Algumas religiões de origem africana pregam que o que se faz, se paga, e talvez essa ideia meritocrata desagrade alguns cristãos (além do racismo gritante), talvez seja por isto tão marginalizadas.

Os evangélicos protestantes não contentam-se somente com os arrependidos, os ex-bandidos, os ex-gays (como se isto existisse), as ex-prostitutas: eles querem mais. Eles querem doutrinar comunidades indígenas que ainda não os conhecem, levar a "palavra" mesmo que isto signifique uma afronta aos costumes e ritos indígenas, "europizar" (nem sei se este verbo existe) indígenas latino americano, exatamente como ocorreu nos EUA (você conhece algum índio norte americano?) e como ocorreu na época dos Jesuítas... Ai como eles são bonzinhos...

A cara de "felicidade" dos índios
Do que é feito o Brasil? Do que podemos nos orgulhar? Não existe nada específico mais importante do que nossa própria cultura. Desde o primeiro europeu pisar no nosso continente as coisas nunca mais foram as mesmas. E nem estou defendendo comunidades indígenas como se fossem santos angelicais que viviam em perfeita harmonia. Estou apenas mencionando que comunidades indígenas NÃO PRECISAM de conversão, não precisam de "salvação", não precisam ser cristãos.

A ética, o respeito, a moral e tudo mais que nos difere dos animais são pregadas por outras religiões e de nada adianta se impostas pelo medo. A gente precisa é de educação questionadora, pensamentos livres, debate e estudos. A religião não é discutível, não é como numa sala de aula onde há troca de ideias, é somente uma pessoa falando e as outras dizendo 'amém'. Nossos índios e nosso país não precisam disto.