domingo, 31 de julho de 2016

Saudades do que não viveu

Minha irmã sempre foi muito fã da banda Legião Urbana e apesar de não ser tão fã quanto ela, admiro várias canções. Sei que pra alguns legião é algo ruim, mas não consigo entender porque, acho cada letra perfeita e encaixáveis em várias situações. Alguns consideram bregas, coisas de estudantes de humanas que fumam maconha, mas eu simplesmente não me importo.

Certa vez ela ganhou um Dvd sobre a vida do vocalista Renato Russo e parece-me que uma pessoa da família dele disse que uma coisa que fazia Renato sofrer era a desigualdade social, problemas de fome e miséria pelo mundo, causando-o até depressão. Eu me perguntava se isto era realmente possível pois, embora fossem problemas que eu sabia da importância, não chegavam a me afetar neste ponto.

Daí que ultimamente tudo mudou. Na minha última experiência trabalhando de carteira assinada num escritório aqui no Rio eu pude vivenciar uma realidade que nunca passei. Muito do que eu acreditava foi pelo ralo e com isso passei a ver muitas coisas por outros ângulos. Nesse sentido, passei a sentir um pouco do que Renato Russo sentia e eu achava impossível acontecer. Vira e mexe me pego refletindo sobre essas coisas, sendo que a maioria delas não me afeta. Nunca neguei que vivo bem em comparação a maioria dos brasileiros que passam dificuldades, agora então, esses privilégios ficaram mais evidentes ainda na minha mente.

Mas eu não sou rica: 90% das coisas que sinto vontade de fazer eu não posso pagar, e sinto que esse é um preço que eu pago pela minha liberdade. Nesses 3 últimos anos, que foi quando iniciei esse blog, muita coisa mudou, desde minha realidade financeira quanto a como enxergo o mundo.

Já vi uma tirinha na internet sobre "fases que vivemos em relação a nossas mães" e é mais ou menos assim:

3 anos: "Mãe, amo-te." 11 anos: "Mãe, não me chateies." 16 anos: "A minha mãe é tão irritante." 18 anos: "Eu quero sair de casa." 25 anos: "Mãe, tinhas razão." 30 anos:" Eu quero voltar pra casa da minha mãe." 50 anos: "Eu não quero perder a minha mãe." 70 anos: "Eu abriria mão de TUDO pra ter minha mãe aqui comigo."

Comigo, aos 25 anos, pude comprovar que tudo citado é verdade e achei que pararia por aí porque sair da casa dos meus pais foi ótimo até então. Mas agora chegando aos 30 eu super entendo que, embora a liberdade seja deliciosa, é comum sentir vontade de voltar pra casa dos pais. Na verdade, sendo racional, é algo que não quero, mas a gente começa a perceber oportunidades desperdiçadas durante o período anterior a sair de casa, e muito disso ocorre por questões financeiras.

Enfim, foi só um desabafo que se alguém por aí ler, me diga se passou por estas fases nessas respectivas idades e se ficou chateado por ser tão clichê huahuahaha

Beijos, Thainá.

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