domingo, 18 de dezembro de 2016

Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil - parte 4

Continuando os textos sobre "Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil", quero compartilhar com vocês uma visão totalmente diferente do que já vimos por aqui, eu diria até com um caráter reacionário, mas que também é abordada na faculdade de História, sobre africanidade, negritude, período escravocrata, etc.

Confira aqui as postagens anteriores:



Tive em mãos durante minhas aulas de Estudo das Relações Étnico Raciais no Brasil um texto do autor Mia Couto, escritor moçambicano, cujo objetivo é demonstrar que os problemas enfrentados na África subsaariana não são de exclusividade da colonização européia.

Sabemos que europeus e estadunidenses tentam dominar meio mundo, invadem países impondo sua cultura, seus modos de viver e roubando suas riquezas mas não podemos culpá-los 100% como responsáveis pelos problemas no planeta, até porque isto não ocorreria sem a conivência de nativos destes locais "colonizados".

Mia Couto cita em seu texto "Os sete sapatos sujos" sete atitudes que contribuem para que o estado de pobreza extrema se perpetue tanto tempo em certos locais na África. A questão não trata-se de responsabilizar o negro africano por seus problemas no geral mas entender como uma auto crítica. As mesmas coisas citadas por Mia podem facilmente ser aplicadas no Brasil, se pararmos pra analisar:

O que é entendido como problema para o desenvolvimento africano:

  • A ideia de que o culpado são sempre os outros e nós somos as vítimas: Mia Couto acredita que o domínio europeu na África causou seus enormes prejuízos mas também criou uma mentalidade de não responsabilidade por parte de alguns nativos africanos;
  • A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho: Muitos nativos africanos se acomodam em suas situações sociais por acreditar que quem avançou em escalas sócio-econômicas teve "sorte", é espiritalmente abençoado, coisas do tipo;
  • A ideia de que as críticas são sempre negativas: Acreditar que o quem orienta de forma correta e dura está fazendo-o apenas por inimizade;
  • A ideia de que mudar as palavras muda a realidade: Mia Couto entende que se importar com certas expressões usadas no dia a dia impede o progresso pois o que importa de fato seriam as "atitudes" das pessoas;
  • A vergonha de ser pobre e o culto das aparências: O nativo africano muitas vezes se sabota ao tentar ser o que não é, adotando um estilo de vida não condizente com suas condições financeiras. É um incentivo a um mundo de aparências. Aqui no Brasil chamamos de "ostentação";
  • A passividade perante as injustiças: Mia acredita que muitos nativos africanos são inertes em casos de violência, principalmente a contra às mulheres e crianças. Ainda existem comunidades africanas que mantém rituais violentos como a Excisão (mutilação genital feminina) e o "achatamento dos seios femininos" nas garotas mais jovens;
  • A ideia de que para sermos modernos devemos imitar os outros: Mia é específico em seu texto ao definir "os outros" como os colonizadores da maior parte da África;


Quis deixar este texto bem resumido de acordo com o que foi dado em sala de aula, não digo que concordo com tudo que é mencionado mas alguns pontos achei importante. Nos próximos textos posso adentrar em cada tópico mencionado dando meu ponto de vista e de outros autores mas na postagem de hoje ficaremos somente com o lecionado na faculdade.

Um abraço, Thainá Santos.

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