quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Feministas não defendem mulheres Muçulmanas?

Dia 21 de Janeiro, sábado, um dia após a posse de Donald Trump, foi organizado em Washington D.C. a Women's March, um protesto feminino contra as posições retrógradas do novo presidente em relação aos direitos das mulheres e outras minorias, uma verdadeira defesa aos Direitos Humanos. Além das posturas racistas e islamofóbicas, Donald Trump já começou seu mandato definindo menos investimentos para clínicas de controle familiar (pró-escolha), ou seja, clínicas e instituições que visam regulamentar seriamente a prática do aborto nos EUA. Misoginia também é algo muito presente nos discursos de Trump.

Feministas não defendem mulheres Muçulmanas?

Nem preciso dizer que isto é uma verdadeira afronta aos direitos femininos, certo? Achar que uma mulher é apenas um útero a serviço da sociedade é de uma falta de empatia tremenda e nós nunca iremos concordar com posições retrógradas que tratam o aborto como "pecado" (Leia aqui a postagem "Aborto é igual Homicídio"?).

Além disto, Trump sempre se posicionou contra àqueles que migraram do Oriente Médio para os EUA, relevando mais ainda seu aspecto reacionário e preconceituoso. Mas como este tipo de discurso ganhou força nos EUA e até aqui no Brasil? A mídia imperialista americana sempre tratou o muçulmano como extremista violento e nos mostra a sua relação para com nós mulheres como algo negativo que nós, ocidentais, devemos combater. No entanto, ao analisarmos o dia a dia no Brasil e nos EUA nos deparamos com diversas falácias nesses discursos de ódio.

O Islamismo, assim como o Cristianismo, são religiões monoteístas com diversos dogmas em comum. Acontece que na Europa e Américas, o Cristianismo se difundiu com mais amplitude, já o Islamismo não. Pessoas cometendo atrocidades em nome do Islã existem e muitas, assim como no Cristianismo. Quem nunca ouviu falar da Santa Inquisição, da Venda de indulgências, da Caça às bruxas, da Ku Klux Klan? Todos estes eventos/ grupos causaram um mal enorme em diversos locais em nome de um deus cristão, dessa forma, não podemos culpar uma religião e sim indivíduos. As religiões só devem ser questionadas quando em suas raízes abrigam-se estes discursos de ódio.

Daí que se você analisar friamente o Corão (livro sagrado do Islã), encontrará posicionamentos controversos sobre diversos assuntos, mas o mesmo ocorre com a Bíblia Católica. Não pode-se demonizar uma religião quando a sua faz a mesma coisa, deve-se extrair o que há de bom ensinamento e questionar o que é controverso. Por isso na esquerda marxista as religiões devem existir em conformidade com o respeito mutuo e o bem social, não é a toa que Karl Marx define a religião como o "ópio do povo".

Não sou contra religiões, apesar de não ter nenhuma, pois se é algo que te faz bem e te torna uma pessoa melhor, super apóio. O que não pode haver é uma cegueira que te faz consumir tudo que sua religião prega pois devemos ter senso crítico de saber o que é adequado a nossa realidade ou não. Enfim, por que estou falando isto? Quis escrever sobre este assunto para que nós, brasileiros, latino-americanos, nos livremos desses pensamentos estadunidenses de que todo muçulmano é um radical violento. Como uma religião pode conquistar tantos adeptos pelo mundo sendo este "terror" que a mídia pinta? Justamente porque NÃO É.

Abusos, estupro, rebaixamento da mulher como pessoa, maridos sem caráter, violentos, todas essas coisas negativas acontecem no Brasil. Ao adentrarmos nas cidades mais remotas de nosso sertão, notamos um índice de violência doméstica altíssimo e muitos destes homens são devotos, católicos e/ou protestantes. Conclui-se assim que a religião islâmica não é a causadora da violência que assola o mundo, o machismo sim.

Muitos questionam: "_Por que feministas não defendem mulheres no Oriente Médio"? E eu te pergunto: "_Você conhece Malala Yousafzai?"

Malala é uma jovem que com apenas 11 anos de idade criou um blog pra expôr o problema do Talibã no Paquistão. Ela denunciou a proibição aos estudos implantada na região, e hoje tornou-se uma importante ativista pelo direito das mulheres à educação. Existem sim mulheres dispostas a lutar uma pelas outras em todas as partes do mundo e não existe uma "carteirinha" de feminista. Qualquer pessoa que lute pela emancipação feminina, direitos humanos, proteção de minorias étnicas e religiosas está fundamentada sob um ideal feminista, logo, existem feministas em todos os locais, incluindo no Oriente Médio.

Óbvio que a violência faz com que certos ativistas se sintam acuados, mas jamais conformados. Malala levou um tiro na cabeça quando tinha 15 anos, pouco tempo depois de se tornar uma importante personalidade na luta pelo direito das mulheres no Paquistão. Felizmente não morreu, mas muitos ficam no meio do caminho. Então, antes de acusar feministas de não atuarem por essas vítimas da violência, saiba o que realmente acontece. Além disto, no Brasil e em toda América latina há um índice bem alto de violência doméstica, feminicídio, e principalmente transfobia, desse modo, antes de querer salvar o mundo devemos dar três voltas dentro de nossa própria casa.

As vezes fico impressionada como certos cristãos demonizam as religiões muçulmanas e ao mesmo tempo tratam mal a mulher, querem controlar seus direitos reprodutivos e são homofóbicos. As mesmas acusações que fazem para com o islâmico, cometem dentro de suas casas. Por isso dizemos, se os símbolos da esquerda fossem de fato como a direita diz, seriam seus heróis.

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