domingo, 5 de março de 2017

Quem foi Sidarta Gautama, o Buda?

Sidarta Gautama, o Buda (o iluminado), viveu na Índia um período em que mitologia e religião de nosso mundo sofriam questionamentos (563 a.C. - 483 a.C). Na Grécia, pensadores como Pitágoras (do Teorema) investigavam o cosmos utilizando a razão. Na China, Confúcio desvinculava a ética da religião. E o bramanismo era a religião dominante no subcontinente Indiano no séc. VI a.C. Mesmo assim viveu-se uma era de valorização do raciocínio em relação à crença pura e simplesmente.


Sidarta Gautama desafiou dogmas religiosos apenas empregando seu raciocínio filosófico. Ele acreditava que apenas quatro verdades regiam nosso mundo: 

  • A de que o sofrimento é parte inerente de nossa existência desde que nascemos até a morte;
  • A origem do sofrimento? Nossos desejos. Acreditava que os prazeres sensuais + o apego a bens mundanos causam nossa dor;
  • O fim do sofrimento: Acreditava que o único meio de acabar com o sofrimento seria abrir mão desses desejos;
  • A superação do ego: Este é o único meio de se alcançar a felicidade

Seus pensamentos fazem sentido até hoje eis que ao adquirirmos mais experiência de vida notamos que a obtenção de coisas e de prazeres sensuais em nada nos fará feliz se não estivermos bem consigo mesmo. A felicidade vem de dentro pra fora, não de fora pra dentro.

Sidarta não foi um messias ou profeta, tanto que o budismo muitas vezes é mais visto como corrente filosófica do que religião. Ele chegou a suas ideias por meio de reflexão e seu principal objetivo eram questões de objetivos de vida, como conceitos de "felicidade", "ética", "certo e errado", etc.

No começo de sua vida, usufruiu de luxo e riquezas, bem como "prazeres sensuais". Contudo entendeu que isto não lhe traria a verdadeira felicidade. Desta forma, também entendia que a total abstinência e austeridade não eram suficientemente satisfatórias. Entendia como correto um "caminho do meio" (o que nós entendemos nos dias de hoje como meio termo). Este sim seria a verdadeira felicidade (ou iluminação).

No raciocínio de Buda, o não-apego era o único meio de evitar o sofrimento, já que o egoísmo é uma tendência humana na busca da satisfação. Desta forma não basta eliminar o que desejamos, devemos superar a ideia do "eu". Em outras palavras, esquecermos de nós mesmos. E como isto é feito?

Buda argumentava que nada no mundo origina a si mesmo pois tudo é resultado de uma ação prévia. Nós não somos floquinhos de neve especiais, somos fruto da união de nossos pais. Eles também não são, são fruto da união de nossos avós. E assim sucessivamente. O mundo do ego é ilusório e cada um de nós somos apenas uma parte desse processo eterno e transitório. Não há "eu" que não seja parte de um todo maior. O sofrimento resulta de um fracasso em reconhecer isso.

Segundo Buda, o estado de não apego quando atingido em sua totalidade resulta no que chamamos de Nirvana. No bramanismo, Nirvana era entendido como tornar-se uno com Deus, mas Buda não apropriava-se de ideiais religiosos, entendendo o Nirvana como um estado que ultrapassava os limites sensoriais, eterno e imutável. Depois de sua "iluminação", Buda passou anos viajando pela Índia, pregando e ensinando, ganhando assim um considerável número de seguidores.

O Budismo estabeleceu-se como importante religião e filosofia de vida, seus seguidores transmitiam seus ensinamentos oralmente até o séc. I d.C., quando foram escritos pela primeira vez. Popularizou-se na China, rivalizando com o confucionismo e o taoísmo em número de adeptos. Já no ocidente, o budismo não teve tanta influência, cenário que foi mudando bem lentamente ao longo do tempo., pois apenas no séc. XX o budismo exerceu influência direta na cultura ocidental, conquistando adeptos inclusive nas Américas.

Buda foi um importante filósofo do mundo antigo e a partir de agora trarei postagens falando sobre grandes nomes dentro da Filosofia. Espero que gostem 🙂

Fonte: O Livro da Filosofia, Globo Livros

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