domingo, 6 de agosto de 2017

Vale a pena fazer EAD (Ensino à Distância)? Vantagens e desvantagens

Se você chegou aqui agora, deixa eu me apresentar. Me chamo Thainá, tenho 29 anos e estou cursando a faculdade de história na modalidade à distância, na Universidade Estácio de Sá. Sou formada em Direito desde 2012 mas trabalho na área de educação.

Quando terminei a faculdade de Direito eu não sabia ao certo o que fazer e não queria continuar atuando na área. Ano passado decidi fazer faculdade de História e comecei na modalidade presencial, ou seja, eu ia a aula todos os dias.

Entretanto, em fevereiro deste ano fui convocada num concurso que prestei em 2014 e teria que passar a faculdade pro turno da noite. Esta seria uma decisão difícil pois o local onde moro está perigoso e estudar a noite seria muito arriscado. Decidi fazer faculdade à distância.

Eu só tomei essa decisão porque como funcionária pública gozo de certa estabilidade e só pretendo abandonar meu emprego no dia que arrumar outro melhor, através de concurso público também. Ou seja, só decidi fazer EAD porque não teria que passar pela sofrência que é procurar emprego na área privada, onde ainda rola um certo preconceito com ensino à distância.

A Faculdade à Distância tem disso: rola preconceito! As pessoas pensam que não estudamos, mas como tenho experiência em faculdade presencial, posso afirmar com propriedade: Ensino à distância é coisa séria! Certas vezes sinto que estudo mais fazendo EAD do que nas aulas presenciais (minha graduação em Direito foi totalmente presencial). Logo, acabe com essa ideia de que faculdade a distância é mais fácil.

Vou listar primeiro as desvantagens do curso EAD e depois as vantagens, para que não as vantagens compensem as desvantagens... rs 🙂

  • Preconceito: o principal problema da faculdade EAD é que as pessoas te olham torto e ainda desdenham quando você diz que estuda à distância. Algumas empresas ainda têm resistência em aceitar funcionários que estudem na modalidade EAD, mas tenho fé que isto vá acabando com o tempo, cabe a nós estudantes EAD fazer a diferença e provar o contrário;
  • Network: O famoso Q.I. (quem indica). Por não termos muito contato com profissionais da área, fica difícil formarmos uma rede de amigos no meio profissional. Na faculdade presencial isto não acontece, o que acaba te facilitando conhecer pessoas que te indiquem para uma possível vaga de emprego, indicações de palestras, pesquisas, mestrado, etc.
  • Debate: Apesar de haver fóruns pra debate virtuais entre os alunos, a faculdade presencial aprimora teu senso crítico pela experiência de conviver com outros alunos. Eu saí da faculdade de Direito com uma retórica infinitamente melhor do que quando entrei, logo, o debate entre alunos e professores é melhor na faculdade presencial (embora exista na faculdade EAD);
  • Disciplina: O maior desafio da EAD é no início, pois você ainda não está acostumado a se programar pra estudar, logo, há uma luta interna muito grande pra evitar a procrastinação;
  • Distrações e familiares: Um grande problema de se estudar em casa são as outras pessoas atrapalhando. Você vai precisar conversar com sua família para que eles entendam que o momento dos estudos é sagrado. Pode cair um meteoro no meu quintal, não me chame por nada nesse mundo!!

Agora quais são as vantagens da faculdade à distância? 
  • Preço: Se você optar por uma faculdade particular, o preço é bem mais baixo no curso EAD. Para vocês terem uma noção, eu pagava cerca de R$370,00 por mês na faculdade presencial e na EAD estou pagando apenas R$156,00 - mais barato até que certos colégios de ensino fundamental;
  • Locomoção: Uma das coisas que mais desanimam na vida acadêmica é o transporte, ainda mais quando você mora num local longe de tudo, como eu. As vezes eu pegava 2 conduções pra ir e mais 2 pra voltar, o que torna o dia muito mais cansativo e estressante, além dos gastos com passagem;
  • Economia: Além da economia na mensalidade, como mencionei no primeiro tópico de vantagens, e economia na passagem/ combustível, você ainda tem acesso ao material todo online, ou seja, sem xerox pra sugar nosso contado dinheirinho. A faculdade à distância acaba se tornando muito mais econômica que a presencial, nem com lanche gastamos... rs;
  • Revisão de conteúdo: Como você tem acesso ao conteúdo das matérias por meio da internet, é possível revisar sempre que puder. Algumas faculdades EAD colocam o conteúdo disponível somente por um certo tempo (exemplo: 1 semana), mesmo assim você terá mais tempo de rever aquela aula do que numa faculdade presencial, onde faltou perde conteúdo;
  • Fazer seus horários: Você que escolhe o melhor momento pra estudar de acordo com sua rotina. Se você tem hábitos noturnos e funciona melhor na madrugada, EAD é perfeito pra caso queira estudar as 2h da manhã, por exemplo;
  • Imersão no conteúdo: Uma coisa muito importante que ocorre na faculdade à distância é a absorvição do conteúdo da disciplina. Quando eu frequentava aulas presenciais era possível notar exatamente o que um professor priorizava na aula e eu acabava me limitando àquilo. Eu sentia que esse era o assunto da prova e deixava algumas coisas de lado. Na EAD não tem disso: você estuda praticamente TUDO porque os professores não deixam muito claro quais conteúdos irão priorizar nas provas: Alunos EAD sempre estudam mais!!
  • Conforto e segurança: É óbvio que é muito mais seguro e confortável estudar dentro de sua casa do que indo para uma instituição de ensino - não tem dia de chuva, nem tiroteio, nada que te impeça de estudar;

Na faculdade à distância não existe a questão da "presença" como numa presencial, mas você deve assistir às aulas e ler o conteúdo sim pois o acesso a eles conta como uma espécie de "presença" onde você deve ter no mínimo 75% de acesso.

O EAD (pelo menos da Estácio) está se esforçando cada vez mais pra ficar similar a um ambiente presencial: há os fóruns para que possamos tirar dúvidas com os professores, há exercícios online, há a biblioteca online (muito boa por sinal, ótimos títulos)...

Enfim, se você é muito jovem, acabou de sair do colegial e quer ingressar numa faculdade, estude presencialmente. A experiência acadêmica presencial é muito importante nesse sentido. Mas se você já é uma pessoa mais velha como eu, estabilizada, que quer fazer faculdade pra melhorar seu currículo, melhorar seu salário, mudar de área ou simplesmente já tem experiência acadêmica, pode se jogar na EAD sem medo. Se você SÓ PODE fazer EAD, faça! É melhor do que não estudar e ver a vida passar se lamentando de não ter iniciado sua profissionalização.

Se gostou desses tópicos abordados, compartilhe com alguém que esteja com essa dúvida, talvez ajude. Beijinhos, Thainá.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

(Des)Caminhos do Blog

Graças a este blog aqui eu descobri a paixão pela leitura e pela escrita. Hoje, prestes a fazer 30 anos, estou muito feliz por ter me encontrado pessoalmente e profissionalmente. Agora posso conciliar um hobbie com uma profissão pois a Faculdade de História me proporciona a leitura (em carga bem pesada, admito) e ao mesmo tempo a escrita, consequência do desenvolver de meu senso crítico.

A verdade é que não sou mais a mesma: desde que comecei a escrever aqui, com apenas 25 aninhos, minha cabeça mudou tanto. A experiência de trabalho no exterior e também a experiência de trabalho no seio do mundo capitalista me fez mudar tanto o que eu acreditava. Eu acreditava que bastava esforço que as coisas magicamente aconteciam. Hoje eu SEI que isto não é mais suficiente.

Mas também não quero me acomodar no discurso anti meritocrático: quero usar esse espaço para que seja uma ajuda a quem precisa. Não estou somente falando dos posts de dicas, mas também de empoderamento através do trabalho.

Essas ideias fazem desse blog uma total mistura sem rumo, pois cada dia sinto vontade de escrever sobre algo diferente. Mas saibam: tudo tem um propósito, que é ser ÚTIL.

Beijinhos, Thainá.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Convivendo com uma criança especial

Quando eu comecei a trabalhar como Agente de Apoio à Educação Especial (AAEE) fiquei com muito medo pois sempre me vinham a mente aquelas crianças com paralisia cerebral cujas funções motoras e intelectuais são bastante limitadas e eu não tinha experiência nenhuma com portadores de necessidades especiais.

Eu estava trabalhando no consultório de uma amiga dentista e estava bem confortável, era um trabalho bem tranquilo que me dava tempo pra estudar, cuidar da casa, ou seja, ter uma vida social fora do ambiente de trabalho. Daí que meu nome saiu no D.O. e minha vida nunca mais foi a mesma. Eu tinha plena convicção que o trabalho na prefeitura iria ser muito mais difícil em relação a onde eu estava, já que eu estava bem empregada, e estava meio desanimada com a convocação.

Na posse do cargo conheci várias moças que também iriam trabalhar como AAEE e muitas já tinham experiência pedagógica, algumas eram professoras formadas e eu mal tinha entrado na faculdade de História. Estas pessoas viviam falando do quanto é maravilhoso trabalhar com crianças especiais e na minha mente eu só pensava: demagogia. Eu realmente acreditava que era um trabalho como outro qualquer e que aquelas moças falavam disso somente pra aparecer.

No 1º dia da semana de treinamento o prefeito foi nos receber no CMRJ na Tijuca e uma pessoa que já estava trabalhando como AAEE disse que o principal que devíamos levar nesta profissão era a paciência e o amor. Pensei: mais demagogia!! Todo mundo sabe que pra trabalhar com inclusão precisa-se de paciência, basta exercitar!! Mas e o amor?

Eu entrei no colégio onde estou atuando no momento e recebi uma lista com o nome das crianças integradas: eram 25 divididas entre o turno da manhã e da tarde. Bateu um desespero, um medo, mas eu simplesmente fui.

Cada criança especial tem suas peculiaridades, não dá pra julgar como se todas tivessem os mesmos hábitos. Além disto, cada uma é criada de uma maneira dentro de casa. Criança especial brinca como as outras, se alimenta, recebe amor da família e principalmente é repreendida como as outras. Nada de muito diferente das crianças sem deficiência.

Dia a dia fui me apegando a esses pequenos e cada um tem suas manias. Claro que, por passar mais tempo com umas em relação a outras, a gente acaba se apegando mais, e quanto mais a gente convive mais a gente esquece da deficiência.

Há um menino muito especial que tomo conta e sempre conto suas histórias pra minha família e amigos, as pessoas do meu convívio que nunca o viram parecem já conhecê-lo de infância. Daí outro dia me perguntaram: _Qual a deficiência dele? Vocês acreditam que demorei a responder? Sim gente, eu momentaneamente tinha esquecido... huahahaha. 

A verdade é que quanto mais convivemos mais esquecemos esses "problemas". As crianças especiais têm esse nome e não é a toa: elas são, de fato, especiais. Elas conseguem, mesmo com todas as limitações, levar uma vida quase igual a uma criança sem deficiências. Elas gostam de bola, de tirar fotos com o celular, aplicativos, fazem cara feia quando são repreendidas e riem das mesmas coisas.

Esses meses só tem me mostrado que as pessoas que falavam da Educação Inclusiva de forma romântica estão mais do que certas: É impossível você trabalhar e não se apaixonar. Cada dia que passa amo mais o meu trabalho 💗